Quando o corpo grita o que a alma cala: guia para curar de dentro para fora

E se as dores físicas fossem um reflexo das emoções que ignoramos? No seu novo livro, Tâmara Castelo convida a parar, respirar e fazer as pazes com o que sentimos.
12/04/2025
4 mins read

A vida moderna tem-nos afastado de algo essencial: escutarmo-nos. Entre prazos, e-mails e notificações constantes, esquecemo-nos de cuidar de quem mais importa: nós. No seu novo livro Cura Emocional, Tâmara Castelo lembra-nos que o corpo fala… e que muitas vezes só precisa de um gesto simples para se sentir em paz.

Com base na sua experiência clínica e na observação atenta das histórias dos pacientes, a autora mostra como muitas dores do corpo têm raízes na alma.

A ideia nasceu de um lugar muito íntimo. “Ao longo dos anos, fui percebendo que, por trás de cada queixa física que os meus pacientes me traziam, havia sempre uma história emocional por contar”, explica em entrevista ao Aurora Lifestyle. Foi este despertar que deu origem ao novo livro.

Segundo a terapeuta, continuamos muito desconectados entre o que sentimos e o que o corpo expressa. Vivemos acelerados, ignoramos os sinais e abafamos as emoções. Resultado? Ansiedade, dores crónicas, problemas digestivos e insónias. “O corpo grita o que a alma cala”, lembra Tâmara Castelo – e esse é o ponto de partida do livro que ajuda no processo de cura.

Um guia para quem quer escutar-se

Mas este não é um livro técnico ou fechado em conceitos difíceis. É um convite acessível e profundo para quem sente que algo não está bem, mas não sabe bem por onde começar. “Este livro é para todos os que, em algum momento, sentiram que o corpo grita o que a alma cala”, sublinha.

Um momento marcante foi quando uma paciente, depois de muitos tratamentos físicos falhados, conseguiu desbloquear uma dor crónica apenas ao confrontar uma tristeza antiga. “Ali, percebi que não podia guardar só para mim essa ponte entre emoção e corpo. Precisava de partilhar, de abrir caminho para que mais pessoas se encontrassem”.

Cura Emocional inclui reflexões, exercícios, receitas, práticas de autocuidado e técnicas de respiração e visualização. Um dos temas centrais é a criança interior, essa parte de nós que guarda as feridas mais antigas. “A criança que fomos continua dentro de nós, muitas vezes a pedir atenção. Se não a ouvimos, ela manifesta-se com medo, tristeza, reatividade…”, diz.

“Curar a nossa criança interior é essencial para termos relações mais saudáveis, com os outros e connosco”. Quando integramos a criança, “o corpo alivia porque já não está em modo de defesa constante. Muitos pacientes relatam que melhoraram do sono, da digestão, da ansiedade… só por começarem a dialogar com essa parte esquecida de si”.

Este livro é “para quem sente dores que não passam, para quem vive ansiedades sem explicação, para quem quer cuidar de si de forma profunda e consciente. Não é preciso saber nada sobre medicina ou espiritualidade – basta querer escutar-se”.

Quebrar padrões com compaixão

Outro aspeto abordado é a repetição de padrões tóxicos nas nossas vidas: relações que magoam, vozes internas que sabotam, sintomas físicos que voltam. A autora ensina a identificar esses padrões e, acima de tudo, como começar a quebrá-los com amor, e não culpa.

“Não se quebra um padrão com raiva de nós próprios, mas com coragem e amor”, afirma. A mensagem? É possível curar, recomeçar e criar uma nova narrativa.

Para Tâmara Castelo, continuamos desconectados entre as nossas emoções e o nosso corpo. “Vivemos muito na cabeça, num ritmo acelerado, e esquecemo-nos que o corpo é o nosso primeiro mensageiro. A desconexão vem muitas vezes da infância – aprendemos a silenciar o choro, a ignorar a raiva, a ‘ser fortes’. E, com o tempo, esse silenciamento torna-se hábito… até que o corpo já não aguenta”.

O livro também propõe práticas simples, mas poderosas, para cultivar o bem-estar. Desde uma chávena de infusão com intenção, a um banho relaxante ou alguns minutos de respiração consciente. “A respiração é o nosso primeiro remédio – muda o nosso sistema nervoso em segundos. E o perdão liberta. Não é esquecer, é deixar de carregar”, partilha.

Despertar para a relação entre emoções e o corpo

Para Tâmara Castelo, não se fala muito desta relação entre as emoções e o corpo “talvez porque fomos ensinados a ver o corpo e a mente como coisas separadas. E também porque é mais fácil tratar um sintoma do que mergulhar numa história emocional que dói. Mas, aos poucos, sinto que estamos a despertar – e esse é um dos grandes propósitos deste livro”.

O livro dá pistas para reconhecer a presença de padrões tóxicos, que se repetem. “É aquela relação que nos magoa e parece sempre igual, é aquele sabotador interno que diz que não somos suficientes. A chave é a observação: perceber o que se repete e que emoções traz”.

Depois de reconhecer esses padrões, é necessário agir com compaixão. “Não se quebra um padrão com raiva de nós próprios, mas com coragem e amor. No livro partilho ferramentas para esse processo – desde práticas energéticas, como a respiração, até exercícios de escrita terapêutica e visualização”.

No seu próprio dia a dia, Tâmara não dispensa a meditação, a escrita intuitiva, o contacto com a natureza, a acupuntura e a aromaterapia. Mas reforça: “acima de tudo, o que não dispenso é tempo para me escutar. Mesmo quando o dia é caótico, reservo sempre um momento para me encontrar”.

Previous Story

Este novo restaurante italiano tem um bar secreto atrás de um armário

Next Story

Respirar, escrever, meditar: as estratégias de Chris Martin para lidar com a depressão

Latest from Blog